domingo, 27 de março de 2011

REFLEXÕES SOBRE O TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA DE SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT






A GRANDEZA DE MARIA

1.     É por meio da Santa Virgem Maria que Jesus veio ao mundo e é por meio dela que Jesus deve reinar no mundo. Maria é a porta que nos abre a porta do céu, é o meio de que Deus Pai se serviu para nos dar o seu Filho Adorado, é por meio dela que Jesus veio ao mundo e vem ao mundo. É por meio de Maria que Jesus se encarnou e é por seu intermédio que Jesus Rei deve reinar, reina e reinará no mundo e nos nossos corações. Jesus é Rei e Maria é Rainha. A Rainha que nos dá o seu Filho, que nos conduz ao Filho. A Ponte que nos liga ao céu. O próprio céu.
2.     Maria viveu toda a sua vida de um modo escondido, escondida no coração de Deus, no seio da Trindade Santa. Por isso Maria é chamada Mãe escondida e secreta[1]. Esse fato de esconder-se revela a humildade profunda de Maria Santíssima, tanto que o seu desejo mais profundo é de conservar-se assim para ser conhecida e reconhecida somente por Deus, em Deus, de Deus. Peçamos a Maria essa grande graça da humildade, de conservar-nos como ela, oculta aos olhos dos homens e do mundo, para sermos reconhecidos somente por Deus e em Deus, porque sem Deus não somos nada, não podemos nada. Que o Senhor Deus tire do nosso coração todo desejo de aparecer, de querer ser, de grandeza, de se engrandecer, para que “Cristo cresça e nós possamos diminuir”. Que nossa vocação seja estar escondidos com Maria, em Maria, por Maria, para aparecermos somente diante de Deus, aos olhos de Deus, como são João Batista diante de Jesus. Que o Senhor cresça em nós e nós possamos diminuir cada dia. Em Jesus e por Jesus, porque sem Jesus nada podemos, nada somos. E que a Mãe nos preserve de todo orgulho, de toda soberba, de todo egoísmo, de toda auto-exaltação. Que possamos aprender com Maria e com o seu Filho Amado o sentido da kénosis, do abaixamento, do rebaixamento, do despojamento interior e exterior. Porque Aquele que tinha a condição divina não considerou o ser igual a Deus, como algo a se apegar, mas esvaziou-se a si mesmo até a morte e morte de cruz (Fil 2,6-11). Não se orgulhou, morreu. Não se encheu de si, se entregou por mim. Que a morte do teu Filho, Mãe, seja a nossa morte e que a sua vida seja a nossa vida e ressurreição (Rm 6), até que nós não vivamos mais, mas o teu Filho que viva em nós (Gal 2,20-21) e por nós e nós Nele e por Ele. Até o fim, até o encontro definitivo, por amor, no Amor. Amém.



[1] Maria entendeu que o essencial está dentro de nós, como aquele homem de Deus que, no mosteiro enquanto estava em oração, escutou a voz do seu senhor que lhe dizia: “Por que procuras fora o que está dentro?”.


Padre Fernando

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