Corpo de Cristo
A Eucaristia não é ciência, é fé!
Há quem queira se aproximar dos mistérios da fé como se fossem problemas de matemática, mas o coração de Deus, que se revela em Jesus, só pode ser compreendido pelos caminhos da fé. Hoje celebremos o mistério dos mistérios e só dobrando o nosso pescoço endurecido e os nossos joelhos orgulhosos é que poderemos entrar delicadamente no cenáculo de Jerusalém, escutar mais uma vez as palavras de Jesus contemplar os apóstolos que olham com um olhar estranho entre os maravilhados e descrentes. Aproximemo-nos desta festa com adoração, veneração e sagrado temor.
Lembra-te de que na fome Deus te alimentou.
Muitas vezes cometemos o pecado da autossuficiência,achando que não necessitamos de Deus e que Ele apenas nos serve em momentos de emergência. Assim pensava o povo de Israel, que se deu mal quando se viu no deserto e percebeu que não tinha pão. Deus nos coloca no deserto para que, na solidão e desolação, possamos tomar consciência da nossa nulidade e clamar ao Senhor. Deus, escutando o nosso clamor, vem em nosso socorro e nos dá “o pão descido do céu, o verdadeiro maná”. Este maná nunca nos faltará, pois é o seu amor, a sua Palavra, e será especialmente o Corpo e Sangue do seu único Filho Jesus. É preciso meditarmos no texto de hoje para vermos a mão de Deus,que conduz o seu povo para uma nova terra prometida e uma nova felicidade não co9nstruída pela segurança humana.
Não é comunhão ao Corpo e Sangue de Cristo?
Quem come a Carne e bebe o Sangue de Cristo torna-se Cristo; assimilando a Cristo, somos cristificados em todo o nosso ser.Todos nós pertencermos a Cristo e devemos, com a vida e com as palavras , dar testemunho de Jesus.Sem dúvida, é muito importante o que a Igreja nos convida a dizer durante a celebração Eucarística: somos pecadores desde o início até o fim de nossa vida.Não somos dignos de receber Cristo Jesus, porém, se Ele disser uma só palavra, seremos salvos. A nós cabe viver e nos tornar o menos indigno possível de receber, no nosso coração, o Corpo e Sangue de Jesus. A fome e sede de Cristo nos impulsionam a participar todos os dias da ceia Eucarística. Nada pode substituí-la; nenhuma oração será tão importante como a Eucaristia, nem o encontro com Cristo será tão intimo como o encontro com Jesus Eucarístico na comunhão sacramental.
Quem come deste pão viverá eternamente.
No capítulo do Evangelho de João, Jesus não usa meias palavras e não tem intenção alguma de agradar os seus ouvintes. Fala a verdade por mais difícil que seja para ser compreendida e assimilada. Ele sabe que muitos o abandonarão por estas palavras. Não são palavras humanas, mas geradas no seu coração durante as longas horas passadas em diálogo intimo com o Pai. O capítulo é a mais bela oração de Jesus, pois Ele nos revela todo o seu amor. Se quisermos ter aqui na terra a felicidade plena, teremos um único caminho: nos alimentar de Cristo, celebrar constantemente a sua memória viva,estabelecer entre nós e Ele uma aliança de vida e amor. Às palavras de Jesus dirigidas aos discípulos, apavorados e temerosos pelas promessas de comer o Corpo e ver o Sangue de Cristo, Ele faz uma pergunta que ainda hoje nos faz refletir: ”Também vocês querem ir ambora?”. Quem segue Cristo na totalidade não pode de forma nenhuma fazer aliança com um “ecumenismo dietético”, em que concorda com tudo e sempre diz sim a todos. Isto não é ecumenismo sadio, mas é traição da fé. Bonito que hoje permaneça a procissão pelas nossas ruas do Corpo de Cristo, triunfante, vivo. Fazer procissão é gritar a nossa fé em Cristo, nosso Salvador, que vive entre nós no mistério da Eucaristia.
Frei Patrício Sciadini, ocd.



Nenhum comentário:
Postar um comentário